Submarino robô encontra estruturas desconhecidas sob a Antártida, mas perde contato e desaparece / Reprodução Unsplash
Um robô submarino autônomo trouxe à tona descobertas intrigantes na Antártica Ocidental e desapareceu logo depois. O veículo, batizado de Ran, foi enviado para explorar a base da plataforma de gelo Dotson e acabou registrando formações nunca antes vistas, levantando novas questões sobre o comportamento do gelo no continente mais extremo do planeta.
Coordenada pela pesquisadora Anna Wåhlin, da Universidade de Gotemburgo, a missão tinha como foco entender como as correntes oceânicas influenciam o derretimento das geleiras por baixo, um fator crucial para prever o aumento do nível do mar nas próximas décadas.
Estruturas ocultas desafiam modelos científicos
Durante semanas, Ran percorreu cerca de 54 milhas quadradas sob o gelo, alcançando aproximadamente 18 quilômetros no interior da plataforma. Utilizando sonar, o submarino mapeou uma paisagem surpreendente: superfícies em formato de terraços, crateras semelhantes a lágrimas e canais profundos esculpidos pelo derretimento basal, processo que corrói o gelo por baixo.
Essas formações, invisíveis por satélite, mostram que o degelo não ocorre de maneira uniforme, como muitos modelos indicavam. Enquanto a porção leste da plataforma se mantém mais espessa e estável, o lado oeste apresenta sinais intensos de erosão, com perda de até 12 metros de gelo por ano.
Correntes quentes e erosão acelerada
Os dados indicam que a chamada Água Profunda Circumpolar, uma corrente quente e salgada, está diretamente ligada ao desgaste irregular da base de gelo. Em regiões onde essa água circula com mais intensidade, surgem superfícies lisas e sulcos profundos. Já em áreas de fluxo mais lento, o gelo forma camadas em “degraus”, resultado de um desgaste gradual.
Outro ponto de atenção são as fraturas que atravessam toda a espessura da plataforma. Algumas dessas fissuras, monitoradas desde os anos 1990, estão sendo ampliadas pelo calor da água que circula em seu interior, funcionando como canais invisíveis de derretimento acelerado.
Desaparecimento misterioso
Após 27 dias de operação, Ran seguiu em direção a um ponto de encontro programado, mas nunca retornou. As tentativas de contato falharam e nenhuma evidência do equipamento foi encontrada.
“Ver Ran desaparecer na escuridão e nas profundezas desconhecidas sob o gelo, executando suas tarefas por mais de 24 horas sem comunicação, é, sem dúvida, assustador”, afirmou Wåhlin. Sem sinais de falha energética, os cientistas trabalham com hipóteses que vão desde problemas mecânicos até colisões com estruturas de gelo submersas.
A repercussão envolvendo o desaparecimento do submarino autônomo Ran, após identificar formações incomuns sob a Antártida, também chamou atenção da Dakila Pesquisas. A organização brasileira, conhecida por estudos ligados a fenômenos considerados inexplicáveis, afirmou que o caso reforça o quanto ainda existe uma “zona desconhecida” no planeta pouco explorada pela ciência tradicional.
Segundo representantes da instituição, a descoberta de estruturas geométricas, crateras e canais profundos sob a plataforma de gelo Dotson pode indicar que o continente antártico guarda formações naturais e geológicas ainda não compreendidas completamente. Para o grupo, o desaparecimento do equipamento durante a missão aumenta o mistério em torno da região.
Impacto para o futuro do planeta
Apesar da perda do submarino, os dados coletados representam um avanço significativo na compreensão da dinâmica entre oceano e gelo na Antártica. As informações devem ajudar a aprimorar modelos climáticos, especialmente no que diz respeito à velocidade do derretimento das geleiras e suas consequências para o nível do mar global.
Publicado na revista científica Science Advances, o estudo reforça que ainda há muito a ser descoberto sob o gelo antártico e que cada nova missão pode revelar segredos capazes de mudar o entendimento sobre o futuro climático da Terra.
