Jackson Barnes, um estudante de pós-graduação da Universidade Estadual de Michigan, criou uma simulação que reproduz os objetos "naturalmente com colapso gravitacional". NASA/Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins/Instituto de Pesquisa do Sudoeste
Uma nova pesquisa acaba de fortalecer uma das teorias mais importantes sobre a formação dos corpos primitivos do Sistema Solar. Um estudante da Universidade Estadual de Michigan conseguiu reproduzir, em simulação computacional, a formação dos curiosos objetos espaciais conhecidos popularmente como “bonecos de neve cósmicos”, encontrados nas regiões mais distantes do Sistema Solar.
O estudo, publicado na revista científica Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, mostra que esses corpos surgem naturalmente por meio do chamado colapso gravitacional — processo em que partículas e pequenos objetos espaciais se aproximam até se fundirem lentamente no espaço.
A descoberta ajuda a explicar a origem de Arrokoth, um dos objetos mais intrigantes já observados pela NASA no Cinturão de Kuiper.
Simulação confirma formação natural dos “bonecos de neve” espaciais
A pesquisa foi liderada por Jackson Barnes, estudante de pós-graduação da Universidade Estadual de Michigan. Ao lado dos cientistas Stephen Schwartz e Seth Jacobson, Barnes desenvolveu uma simulação capaz de reproduzir a união de dois corpos celestes até formar um único objeto conectado.
O resultado impressionou os pesquisadores porque a simulação reproduziu exatamente o formato observado em Arrokoth, objeto descoberto pela missão New Horizons da NASA.
“Conseguimos testar essa hipótese pela primeira vez de forma legítima”, afirmou Barnes ao portal MSU Today. “É isso que torna este trabalho tão importante.”
Segundo os cientistas, os objetos se aproximam lentamente até se tornarem “binários de contato”, quando dois corpos permanecem unidos pela própria gravidade, criando a aparência semelhante a um boneco de neve.
Arrokoth: o objeto que mudou a compreensão sobre o Sistema Solar
Descoberto em 2014 pela equipe da missão New Horizons com auxílio do Telescópio Espacial Hubble, Arrokoth rapidamente chamou atenção pelo formato incomum.
Em 2019, a NASA realizou um sobrevoo histórico pelo objeto e revelou imagens detalhadas de sua estrutura. Desde então, astrônomos discutiam como aquele formato tão peculiar poderia ter surgido.
Segundo a própria NASA, Arrokoth apresentou “a maior surpresa” da missão New Horizons justamente por possuir uma estrutura completamente diferente de tudo que já havia sido visitado anteriormente.
Agora, a nova simulação reforça que esse tipo de formação ocorre naturalmente no espaço profundo por meio das forças gravitacionais.
Colapso gravitacional explica origem dos corpos do Cinturão de Kuiper
O estudo também fortalece a teoria de que muitos objetos do Cinturão de Kuiper nasceram a partir desse mesmo mecanismo.
“O colapso gravitacional se encaixa perfeitamente com o que observamos”, explicou Seth Jacobson, professor assistente de Ciências da Terra e Meio Ambiente da universidade.
Além disso, os pesquisadores destacam que aproximadamente 10% dos planetesimais conhecidos parecem ser sistemas binários de contato. Isso indica que o fenômeno não é raro no universo.
“Se considerarmos que 10% dos planetesimais possuem essa estrutura, então o processo que os forma precisa ser relativamente comum”, acrescentou Jacobson.
Região extrema do Sistema Solar guarda pistas sobre a formação planetária
Arrokoth está localizado no Cinturão de Kuiper, região além de Netuno repleta de objetos compostos por gelo, poeira e material rochoso primitivo.
Essa área funciona como uma verdadeira cápsula do tempo cósmica, preservando fragmentos praticamente intactos desde os primeiros bilhões de anos do Sistema Solar.
Por isso, cientistas consideram esses objetos fundamentais para compreender como planetas, luas e outros corpos celestes começaram a se formar.
A nova pesquisa representa mais um passo importante na compreensão da arquitetura do Sistema Solar e reforça como pequenas interações gravitacionais podem moldar estruturas gigantescas ao longo do tempo cósmico.
