Por que o Caminho Peabiru é prioridade nas pesquisas realizadas pela Dakila
As expedições conduzidas pela associação Dakila Pesquisas ao longo dos últimos anos vêm reunindo uma série de registros de campo que, segundo a equipe, ajudam a reconstruir o chamado Caminho de Peabiru e suas possíveis conexões com antigas civilizações na América do Sul.
Sob a liderança de Urandir Fernandes de Oliveira e com participação de pesquisadores como Fernanda Lima, os estudos foram realizados em diferentes regiões do Brasil, combinando tecnologia como LiDAR, GPR e drones com expedições em campo.
A seguir, os principais locais investigados até agora, segundo o material divulgado pela própria equipe.
Serra da Muralha (RO) – marco inicial das pesquisas
Em Rondônia, a Serra da Muralha foi tratada pela equipe como um ponto-chave dentro da narrativa sobre o chamado “marco zero”. O local já conhecido por estudos arqueológicos ganhou nova interpretação dentro das pesquisas da Dakila, sendo associado a estruturas antigas de grandes blocos de pedra e possíveis conexões com a ideia de Ratanabá.
Apiacás (MT) – mapeamento com LiDAR e “quadras” geométricas
Em 2022, uma das expedições mais divulgadas ocorreu em Apiacás (MT), onde o uso de tecnologia LiDAR teria identificado formações retilíneas em área de floresta.
Segundo análises apresentadas pela equipe, as estruturas foram interpretadas como possíveis “quadras” e traçados organizados no solo, levantando hipóteses sobre intervenção humana antiga na região amazônica.
Paranaíta (MT) – o “Pé de Ratanabá”
Outra descoberta de grande repercussão interna foi uma formação rochosa apelidada de “Pé de Ratanabá”, com cerca de 2,41 metros, interpretada pelos pesquisadores como possível pegada gigante fossilizada.
A equipe associou o achado a uma figura de grande estatura e o integrou ao conjunto de evidências que, segundo eles, estariam ligadas ao Caminho de Peabiru.
Pedra Preta e Aripuanã (MT) – arte rupestre e megapaineis
Em diferentes pontos do Mato Grosso, expedições registraram painéis rupestres e gravuras em rocha.
O destaque foi um complexo descrito como o maior painel de gravuras da Amazônia, com centenas de inscrições, formas geométricas e símbolos, interpretados pela equipe como possíveis registros de comunicação antiga.
Amazônia (AM) – cerâmicas, trilhas e possível naufrágio
Em São Gabriel da Cachoeira e Apuí, os pesquisadores relataram encontrar cerâmicas, vestígios de antigas habitações e até um suposto naufrágio identificado com auxílio de sonar.
Entre os relatos, objetos com inscrições e datas antigas foram citados como indícios de circulação humana anterior ao período colonial.
Paraná e Santa Catarina – túneis, trilhas e o Caminho de Peabiru
No Sul do Brasil, as pesquisas avançaram em locais como Curitiba, Castro e São Pedro de Alcântara.
Foram identificadas trilhas de pedra, possíveis silos antigos e estruturas subterrâneas que, segundo a equipe, poderiam estar relacionadas a rotas do Caminho de Peabiru.
Em alguns pontos, tecnologias como GPR teriam indicado a presença de túneis e estruturas enterradas.
Litoral de São Paulo – extensão da rota histórica
Em cidades como Cananéia e São Vicente, as expedições buscaram vestígios da antiga rota costeira.
A proposta da equipe é que o Peabiru não seria apenas uma trilha terrestre, mas uma rede interligada de caminhos entre o interior e o litoral sul-americano.
Expansão do projeto e turismo histórico
Em 2024, as pesquisas ganharam também caráter institucional com iniciativas de mapeamento e possíveis projetos turísticos, incluindo acordos para desenvolvimento da chamada “Rota do Peabiru”.
Ao longo das expedições, a Dakila Pesquisas sustenta a hipótese de que o Caminho de Peabiru seria uma extensa rede ancestral de comunicação e deslocamento, conectando diferentes regiões da América do Sul.
Embora as interpretações ainda sejam debatidas fora do grupo, os registros seguem sendo divulgados como parte de um projeto contínuo de pesquisa arqueotecnológica.
