Chris Stockdale usa um observatório improvisado em seu quintal em Victoria, Austrália, para descobrir exoplanetas rastreando mudanças no brilho das estrelas / Cortesia da Science in Public
O australiano Chris Stockdale chamou atenção da comunidade científica após participar da descoberta de mais de 100 exoplanetas sem sair de casa. Morador da cidade de Victoria, na Austrália, ele utiliza um observatório instalado no próprio quintal para monitorar estrelas e identificar possíveis planetas fora do Sistema Solar.
A estrutura inclui um telescópio acoplado a um sistema de rastreamento de alta precisão, capaz de acompanhar campos estelares durante horas. A paixão de Stockdale pela astronomia começou ainda na década de 1960, impulsionada pelas missões Apollo e pelos históricos pousos na Lua.
“Comecei a me interessar por astronomia por causa do programa Apollo na época e dos pousos na Lua”, contou. Ele também relembrou momentos marcantes da infância observando o céu ao lado do pai. “Havia alguns cometas brilhantes, e me lembro do meu pai me acordando às 4 da manhã para dar uma olhada nesses cometas que estavam no céu, e foi realmente muito bom.”
Como ele identifica planetas fora do Sistema Solar
Chris Stockdale dedica suas observações principalmente à busca por exoplanetas, mundos que orbitam estrelas além do nosso Sistema Solar. Segundo dados da NASA, mais de 6 mil exoplanetas já foram confirmados até abril de 2026.
O método utilizado pelo astrônomo amador consiste em monitorar pequenas variações no brilho das estrelas. Quando um planeta passa em frente à estrela observada, ocorre uma discreta queda de luminosidade.
“Tratava-se de determinar qual estrela causava a queda de brilho associada à passagem de um planeta em frente à estrela, tal como a veríamos”, explicou. Ele destaca que as mudanças são extremamente sutis. “Apenas uma pequena queda, tipicamente de 0,5% ou 1%, portanto, nada muito significativo.”
Stockdale também explicou que realiza análises detalhadas para evitar interpretações equivocadas durante as observações. “Eu faço análises para identificar a queda de brilho ou atribuí-la, para saber se é outra estrela ali, que poderia ser uma binária eclipsante, por exemplo.”
Observatório foi aprimorado ao longo das décadas
Membro da Sociedade Astronômica do Vale de Latrobe desde 1971, Chris construiu seu primeiro observatório em 1992. Anos depois, em 2013, ele modernizou toda a estrutura com a instalação de uma cúpula Sirius, ampliando a capacidade de observação astronômica.
O trabalho contínuo e as contribuições para a astronomia renderam ao australiano a Medalha Berenice e Arthur Page de 2026, concedida pela Sociedade Astronômica da Austrália (ASA).
Ao comentar a homenagem, Stockdale afirmou sentir-se “incrivelmente orgulhoso e honrado”.
A representante da ASA e astrônoma da Scienceworks Melbourne, Dra. Tanya Hill, destacou a importância do reconhecimento concedido ao pesquisador amador. “É uma forma de os astrônomos profissionais celebrarem e destacarem o trabalho incrível que está sendo feito por astrônomos amadores”, afirmou.
Ela acrescentou ainda que a escolha do nome de Chris Stockdale ocorreu de forma praticamente unânime entre os avaliadores. “Quando o comitê percebeu isso e viu os fantásticos endossos que ele tinha das colaborações com astrônomos profissionais, ficou claro que Chris era definitivamente um ótimo merecedor da medalha.”
