Entenda como a responsabilidade e a educação digital devem funcionar na prática
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Acredita-se que a maior questão da atualidade seja como será que nós vivíamos antes do advento da tecnologia. Em termos de pesquisas, avanços, novos estudos, otimização de processos e equilíbrios temporais, nunca houve tanta agilidade e mudanças de perspectivas quanto agora, em um mundo que, apesar de carregar características cíclicas, oferece uma enxurrada de informações, criando indivíduos multitarefas e essencialmente multitelas.
A principal alteração, além de destacar a maneira como nos relacionamos com outros meios dentro e fora de casa e marcar o início de uma nova geração (beta), é a Inteligência Artificial. Criada para minimizar ações humanas e proporcionar dinamismo no dia a dia da população, a utilização da IA escalou em proporções assustadoras e vem preocupando especialistas pela forma de manipulação aplicada por pessoas que se aproveitam das mais variadas possibilidades das plataformas para realizar atividades inadequadas e até fraudulentas.
No mês de julho, a cantora Emily Portman se surpreendeu ao saber que um álbum seu foi lançado com músicas aparentemente novas. Mas o maior espanto não foi a ausência de sua participação, e sim o fato de que o trabalho foi realizado integralmente por inteligência artificial. Ela recebeu uma mensagem de um fã, que dizia: “A música folk inglesa está em boas mãos”.
Assim que recebeu o elogio, ficou intrigada, por não ter nenhum álbum previsto para lançamento, e descobriu que o projeto estava nos mais variados lugares, como Spotify, iTunes e outras plataformas online. Levava o nome de Orca e integrava cerca de 10 faixas, com nomes como Sprig of Thyme e Silent Hearth, que facilmente seriam identificadas como de autoria real da cantora por seus fãs. Apesar disso, a própria Emily admitiu que se tratava de algo “em um estilo folk provavelmente o mais próximo possível do meu que a IA consegue produzir”.
Não é a primeira vez que artistas menos conhecidos são alvos desse tipo de situação. Infelizmente, no caso de Portman, não haverá um suspeito, já que o álbum foi publicado com seu nome, acreditando como artista e compositora. O produtor listado nos créditos é Freddie Howells, que aparentemente não existe. Músicos falecidos também tiveram seus nomes e dons ressuscitados, como o cantor country americano Blaze Foley, que morreu em 1989 e, no mês passado, também teve uma música “lançada”.
Portman afirma que, embora as músicas tenham sido bem produzidas, faltava um agente humano que nenhuma IA conseguiria reproduzir. Esse é o ponto mais importante de toda a discussão, levando em consideração que nenhum software pode substituir a mão e a sensibilidade humana em quesitos pessoais e particularidades muito específicas. Ela reforça que a tecnologia foi criada para beneficiar quem a utiliza e não o contrário. Por isso, devemos sempre ter responsabilidade e ética em qualquer momento da vida, para que nada, nem ninguém, seja prejudicado no caminho.
Escrito por Kethelyn Rodrigues, supervisionada por Henrique Souza.
